Tamagnini Abreu – Figura da I República

Outubro 5, 2010 at 9:11 am Deixe um comentário

1856 – Nasce, a 13 de maio, em Tomar

1915 – É promovido a general 12 dias antes de Norton de Matos assumir o Ministério da Guerra, sendo convidado por este a comandar a futura Divisão de Instrução que se concentrará em Tancos.

1916 – A Alemanha declara guerra em Portugal.

1917 – É nomeado comandante do Corpo Expedicionário Português; partem para França os primeiros expedicionários.

1918 – A 9 de Abril na Batalha de La Lys, morrem mais de 400 portugueses e cerca de 7 000 são feitos prisioneiros, fragilizando de forma irreversível o CEP, de cujo comando é exonerado. A assinatura do armistício, a 11/11, põe fim à guerra.

1923 – Escreve as suas memórias: Os meus três comandos.

1924 – Morre em Lisboa, a 23 de Novembro

«Homem esguio, ligeiramente curvado, apoiado numa bengala, sempre fardado, ar afável: é esta a imagem que hoje nos chega do general Fernando Tamagnini de Abreu e Silva, comandante do Corpo Expedicionário Português durante um dos períodos mais conturbados da nossa História recente. Mas quem foi o general Tamagnini?

Tamagnini de Abreu foi um militar que, a certa altura, se viu envolvido na política, quando essas se tornaram faces da mesma moeda, durante a I Guerra Mundial. Mas até 1915, o seu percurso foi o de um militar que ascendia de forma tranquila na hierarquia, sempre ligado à arma de Cavalaria, por onde se iniciou aos 17 anos.

Frequentou o Real Colégio Militar, onde desempenhou funções de Regente de Estudos, aí desenvolvendo o gosto pela História de Portugal e o Latim, pouco tempo antes de casar com Maria Isabel de Oliveira Pinto da França, em 1887. Passou também, por períodos intermitentes, pela Guarda Municipal, entre 1880 e 1908, até assumir o comando da 5ª Divisão, em Coimbra, em 1915, ano em que ascendeu ao generalato, como refere Isabel Pestana Marques em Memórias do General, 1915-1919. Os Meus Três Comandos’ de Fernando Tamagnini (Fundação Mariana Seixas, 2004).

Por essa altura, já a normalidade dos dias fora abalada pelo eclodir da Grande Guerra. Tamagnini, recém-designado general, a quem eram elogiadas as qualidades de disciplina e comando militar, acabaria por ser convidado pelo general Norton de Matos – também ele recém-chegado a um novo cargo, o de ministro da Guerra – para comandar a futura Divisão de Instrução de Tancos, em agosto de 1915.

Entretanto, as pressões do governo do Partido Democrático de Afonso Costa fariam com que o País fosse envolvido no turbilhão dos acontecimentos. Para os partidários da guerra, a participação de Portugal no conflito era encarada como uma forma de resolver vários problemas. Por um lado, conferiria credibilidade internacional ao jovem regime republicano, ao mesmo tempo que traria à sociedade portuguesa, fortemente dividida, um motivo de união à volta de um objectivo comum.

De Tancos à Flandres

Depois de Portugal atender ao pedido britânico de requisição dos navios alemães surtos em portos nacionais, a Alemanha declarou guerra ao nosso país, a 9 de março de 1916. Nos meses que se seguiram, entre abril e julho, deu-se o «Milagre de Tancos», assim chamado devido ao curto espaço de tempo em que se concentraram e prepararam cerca de 20 mil homens vindos de vários pontos do País. O obreiro principal desse «milagre» foi o ministro da Guerra, Norton de Matos, que contou com a preciosa ajuda do general Tamagnini.

Antes da concentração em Tancos e durante o período que antecedeu o embarque para a Flandres, Tamagnini foi também incumbido por Norton de Matos de acompanhar os preparativos da concentração pelo País, vigiando as tropas e abafando os vários motins contra a mobilização.

Será, pois, de uma forma quase «natural» que surgirá a sua nomeação para comandante do Corpo Expedicionário Português (CEP) em janeiro de 1917. As primeiras tropas embarcaram rumo à Flandres nos finais desse mês e Tamagnini assumirá o comando a 20 de março, tendo pela frente a árdua tarefa de organizar e comandar cerca de 55 mil homens.

O comando do CEP não seria um período fácil para o general Tamagnini. Às condições adversas em que o exerceu-se juntou-se a noção de que seria imprescindível uma reorganização dessa força militar para continuar no terreno de forma digna. Tentará por isso, por duas vezes, convencer o governo a manter o CEP como força autónoma do Exército inglês – em vão.

Entretanto ocorre, a 9 de abril de 1918, a Batalha de La Lys, que atingirá de forma irreversível as tropas portuguesas na Flandres e desencadeará a polémica em torno do Comando do CEP. A imagem do general fragilizou-se de dia para dia, acabando por ser exonerado pelo Presidente da República Sidónio Pais (líder da revolta militar de 5 de dezembro de 1917), sem nunca receber explicações dessa decisão.

Mostrando a sua essência de militar, acabará por aceitar do mesmo homem que o exonerara a nomeação para (voltar a) comandar a 5.ª Divisão e assim ajudar a conter a ordem pública, numa altura em que a unanimidade inicial à volta de Sidónio Pais se desmoronava.

A seguir ao assassinato do «Presidente-Rei», em dezembro de 1918, seguiu-se um período complicado para Tamagnini, que viu o seu nome envolvido nas guerrilhas de disputa pelo poder. Desiludido e decidido a esclarecer os mal-entendidos entretanto surgidos, elabora um relatório sobre o comando do CEP e afasta-se.

Entre 1919 e 1923, Tamagnini foi agraciado com várias condecorações, portuguesas e estrangeiras, e concentra-se nos trabalhos da Comissão incumbida de rever a legislação relativa a mutilados e estropiados de guerra, a que preside, bem como na Comissão dos Padrões da Grande Guerra. Um esforço que refletia a marca inelutável que a Grande Guerra deixara em si.

Morreu em 1924, não chegando assim a assistir à queda da I República perpetrada pelo golpe militar de 1926. Mas os últimos anos de vida permitiram-lhe, por certo, constatar a crescente fragilização de um regime que depois da Guerra nunca mais se recomporá.»

Elsa Santos Alípio, “Visão História – 41 Grandes Figuras da I República”, nº 10, Setembro 2010, pp. 72 e 73

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