U. Tomar – 101.º aniversário – Mensagem do Presidente da Mesa da Assembleia Geral

Maio 10, 2015 at 4:02 pm Deixe um comentário

Exm.ª Senhora Presidente da Câmara Municipal de Tomar, Dra. Anabela Freitas

Exm.º Senhor Presidente da Junta de Freguesia de São João Baptista e Santa Maria dos Olivais, Sr. Augusto Barros

Exm.º Presidente da Direcção do União de Tomar, Sr. Abel Bento, e restantes elementos da Direcção

Caros sócios, atletas, técnicos, minhas senhoras e meus senhores,

A todos o meu obrigado por terem comparecido. Em nome do União de Tomar, dirijo-vos uma saudação muito especial de boas vindas a este jantar comemorativo do 101.º aniversário do União, um pretexto para reforçar os laços de amizade, em prol do engrandecimento do nosso clube.

Como sabem, há pouco mais de um mês, no final de Março, foram eleitos os novos Órgãos Sociais do União para o mandato 2015/17. Abel Bento mantém-se como Presidente da Direcção, tal como Jerónimo Capelão como Presidente-Adjunto. Prossegue igualmente em exercício a generalidade dos membros da Direcção, tendo a equipa directiva – à qual expresso os meus votos dos maiores sucessos – sido ainda reforçada com alguns novos Directores, que recentemente entraram em funções.

Nessa ocasião, e na sequência do honroso convite do Presidente da Direcção, Abel Bento, e em função da votação dos sócios, assumi a responsabilidade pela Presidência da Mesa da Assembleia Geral, função que grata satisfação me dá, dado o seu papel primordial, de representação dos sócios do União de Tomar.

Nestas minhas primeiras palavras, queria reiterar o agradecimento à anterior Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Dra. Graça Costa, que me habituei, ao longo dos últimos oito anos, a ver, dando a cara, assumindo, e cumprindo com grande dignidade, em múltiplas ocasiões, esse papel de representação dos sócios do União, mais em especial, pessoalmente, por via do contacto directo que tive oportunidade de estabelecer a propósito das comemorações do Centenário, da Exposição e das sessões de apresentação dos livros editados também nesse âmbito.

Esperando estar à altura das responsabilidades e de prosseguir o trabalho desenvolvido pela anterior Presidente, por meu lado, posso dizer que sou, com muito orgulho, sócio do União de Tomar há mais de 20 anos, vibrando, desde a infância, com os sucessos do clube, e sofrendo com ele nos momentos difíceis.

Tendo deixado de viver em Tomar já lá vão quatro décadas não deixei de acompanhar, desde menino, e pese embora à distância, a vida do União.

Apesar de não ter grandes memórias vivas dos tempos áureos de I Divisão – lembro-me da maior goleada aplicada pelo União, frente ao Beira-Mar, por 8-1, a que assisti ao vivo, em 1973 – nem das conquistas na II Divisão, recordo não obstante alguns dos nomes que elevaram o nome do clube e da cidade aos mais altos patamares, a nível nacional, alguns deles que se tornaram verdadeiros símbolos, ainda agora regularmente evocados.

Uma famosa linha defensiva do União perdura na mente de muitos, e não só em Tomar: Conhé, Kiki, Caló, Faustino e Barnabé – que, em 1969, empataram 2-2 no Estádio das Antas. Como faz parte do imaginário de tantos, e ainda hoje é frequentemente citada, a célebre expressão de António Medeiros, em 1972, de que «Até os peixes do Nabão se hão-de curvar à nossa passagem».

Porque entendo que a memória do passado é um rico património que deve ser preservado e valorizado, muitos foram os nomes que, nesses tempos, contribuíram para o engrandecimento do clube; destaco em especial, com particular gratidão pessoal, três símbolos maiores da mística unionista: FAUSTINO, TOTÓI e MÁRIO PINTO.

Mas diversas outras grandes figuras do futebol português envergaram também a camisola rubro-negra do União: Nascimento, Calado, Fernandes, Ferreira Pinto, Zeca, Pavão, Vieira, Camolas, Raúl Águas e Manuel José (todos, estes dez, Campeões nacionais, ao serviço do Benfica!), Caló, Carlos Pereira e Gonçalves (todos eles também Campeões nacionais, mas pelo Sporting), o célebre Bolota (melhor marcador do União na I Divisão, com 30 golos), ou os treinadores Óscar Tellechea, Fernando Cabrita, o já referido Medeiros, Artur Santos e Francisco Andrade.

Foram, então, nomes que faziam parte do meu imaginário, sobretudo por ouvir os relatos na rádio, mas, também, por via dos famosos cromos – nos primeiros tempos, de início dos anos 70, embrulhando caramelos, em busca do inatingível “cromo da bola” –, os quais agora recuperamos, adaptados aos modernos tempos actuais, numa iniciativa a todos os títulos louvável e à qual aqui deixo o meu convite a todos para aderir, coleccionando, trocando os cromos, num salutar exercício de convivência em família e entre amigos.

Para além daqueles, lembro igualmente os de alguns outros, “tomarenses” por adopção, como: Bastos Nunes, Cardoso, João Carlos, Fernando Luís, Silva Morais, Florival, Barrinha, Dui ou Tito.

Mas, também, naturalmente, os tomarenses por nascimento: Raul, Alberto, Caetano, Bilreiro, Alexandre, Morado, Ernesto e Mário Consciência, tal como, anos mais tarde, Jorge Vital, que se notabilizaria ao mais alto nível, ao serviço do Sporting.

Assim, como, noutro plano, o de dirigentes de grande gabarito, relembro os nomes dos três “mosqueteiros” (que, tal como na história de Alexandre Dumas, eram efectivamente quatro): Mário Gonçalves, João Lopes da Costa, Fernando Carrão, e o Presidente José Júlio Garcia.

E, claro, não poderia esquecer uma palavra alusiva a esses dois vultos maiores do futebol em Portugal: o “rei” Eusébio e António Simões, que, só à sua conta, acumularam 21 títulos de Campeão Nacional e dois de Campeão Europeu.

Como disse, não tendo tido possibilidade de acompanhar de perto esses tempos gloriosos, recordo com especial relevo o 1.º lugar obtido pelo União na III Divisão, nas épocas de 1982-83 e de 1989-90, e os títulos de Campeão Distrital, em 1987-88 e em 1997-98.

Destas ocasiões, muitos outros são os nomes que aqui poderia evocar, nomeadamente, e correndo o inevitável risco de me esquecer de outros tantos: João Segorbe, Carlos Alberto, Boavida, Rafael, Jacob, Paulo Moura, Ferreira, Abreu, Ulisses Morais; Jorge, Nelson, Paulo Simões, Eira, Cajada, Paulo Santos, Zé-Tó, João Alvalade, Quim, Marco Marques, David, Luís Filipe, Luís Alves, Rui Coelho, Bernardino, ou Victor Romero, e, ainda, o já antes mencionado Mário Pinto, assim como os treinadores Vítor Esmoriz e Mário Ruas.

Na sua centenária existência, integrando um selecto lote de cerca de vinte dos mais antigos clubes em actividade na modalidade de futebol, o União tem um historial preenchido e um palmarés rico – com um total de 14 títulos averbados no escalão de seniores (dois deles de Campeão Nacional da II e da III Divisão), a que soma ainda mais de vinte títulos conquistados a nível dos escalões de formação –, ostentando a glória de ter sido o único clube do Distrito a militar (durante seis temporadas) no escalão máximo do futebol português.

Na época finda, tendo sido vice-campeão distrital, o União alcançou o seu melhor desempenho dos últimos cerca de 15 anos, num ressurgimento que se saúda, como antecâmara para o possível regresso a mais altos voos… Para já, tal possibilitou o apuramento para a Taça de Portugal da próxima época, prova de índole nacional a que regressa 14 anos depois da sua última participação. Mas também a nível de Campeonato, o regresso aos Nacionais poderá vir a tornar-se uma realidade a breve trecho…

O União de Tomar – entidade declarada instituição de utilidade pública em 1992, tendo sido também agraciado pelo Governo com a medalha de bons serviços desportivos –, sempre assumiu, ao longo dos seus 101 anos, um importante papel no desenvolvimento de objectivos de intervenção social, em particular a nível da formação dos jovens, como desportistas, mas, principalmente, como homens, um serviço público que presta à comunidade, sendo um dos mais ilustres representantes do associativismo desportivo da nossa cidade. Creio que todos nesta sala reconhecemos a importância que clubes da dimensão do nosso representam no dia-a-dia da sociedade nabantina.

As perspectivas de futuro do clube são inevitavelmente condicionadas pelas necessidades de meios e recursos e pelas infra-estruturas de que continua a carecer, em particular a nível de instalações, sendo prioridade imediata, no mencionado cenário de promoção aos Campeonatos nacionais, a vedação do campo de futebol, única forma de potenciar as receitas de bilheteira, assim como a bancada e a questão dos balneários. Mas, de uma forma mais global e integrada, a caminhada ascensional do União só poderá prosseguir e desenvolver-se com o apoio da comunidade tomarense, reaproximando-se do clube, ajudando-o a projectar-se a mais alto nível.

Porque o União não é apenas futebol, é devida também uma justa menção ao atletismo, e um agradecimento ao esforço desenvolvido pelos seus dirigentes, técnicos e atletas em prol do clube, num período em que se assinala o forte dinamismo desta secção.

Quero ainda deixar uma palavra final de grande apreço a todos os que, de forma desinteressada, voluntária e com amor à camisola, asseguram a vida do clube, no dia-a-dia, com sacrifício pessoal, abdicando dos seus tempos livres em família, começando pelos Directores, quais “formiguinhas” de trabalho, procurando superar todas as dificuldades e obstáculos, mas também aos diversos elementos das equipas técnicas, que se constituem em exemplos para os mais jovens, para além, claro, de todos os jogadores e atletas, nos diversos escalões, em ambas as modalidades, futebol e atletismo.

E, ainda, por fim, enaltecer o exemplo que constitui o sócio n.º 1 do União, Sr. Fernando Henriques Lopes.

Concluo, reiterando que acredito que o União será o que nós, todos, sócios e tomarenses, quisermos.

Viva o UNIÃO DE TOMAR!

Leonel Vicente

Tomar, 9 de Maio de 2015

(texto completo da mensagem que ontem apresentei na gala do 101.º aniversário do União de Tomar)

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