Congresso de Tomar – José Gomes Ferreira em “discurso directo”

Setembro 29, 2012 at 3:22 pm 2 comentários

Esta terra tem boa gente e tem vantagens competitivas enormes. Gente qualificada, que se formou, com conhecimentos não só humanísticos mas técnicos.

Temos uma situação de localização que é muito boa em termos de infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias e um património natural que é notável, assim como o património edificado.

Portugal está na moda porque entrou nos noticiários internacionais, pelas piores razões: portámo-nos mal em termos financeiros e económicos. Mas o simples facto de passar a ser referido gerou curiosidade. E a impressão dos estrangeiros sobre Portugal é bastante boa.

Temos que começar por valorizar (muito) aquilo que temos. Eu próprio, quando estou no exterior, faço o marketing desta cidade, e as pessoas ficam muitas vezes surpreendidas e mais interesse tomam, o que é uma grande vantagem competitiva.

Mas há muitos mas na nossa realidade; demos cabo de muita coisa. Se alguém quiser intervir em defesa da honra, porque há coisas polémicas, não se inibam.

A Administração Pública local e regional são boas pessoas, mas estão embrenhadas na sua própria lógica e têm que sair dela.

Tomar foi uma cidade muito atractiva para o investimento, com muitas indústrias a instalar-se nos anos 50, 60 e 70. Havia um ambiente propício para o investimento.

Entretanto o País evoluiu no mau sentido, endividou-se, fez investimentos que não devia ter feito.

O que é que podemos fazer a nível regional e local?

Por cada fábrica que fechou, criaram-se prédios residenciais, bairros inteiros, e por cada emprego que se perdeu, criou-se lugares na Administração local e regional, e é isso que está a dar cabo de nós. Porque é preciso arranjar recursos para sustentar esta máquina, criam-se impostos e taxas.

Temos que mudar isto tudo, e de uma maneira muito concreta. Podemos começar pelas vantagens competitivas que temos e olhar para o exterior. Agora não temos mercado, não há procura interna, e não haverá durante cinco ou seis anos, porque a que existia era artificial.

Temos que orientar-nos para o exterior. Há cada vez mais estrangeiros a visitar-nos e a gostar da nossa terra.

Precisamos de serviços para a terceira idade e qualquer empresário que queira instalar um lar não consegue, por causa de todas as licenças necessárias, tem de esperar anos. Isto não pode continuar.

Os autarcas devem pedir ao Governo que altere a legislação, porque a exigência que temos não permite continuar-nos com este universo legislativo que tantas dificuldades provoca. A primeira responsabilidade que têm é vir para a rua reclamar.

Baixar taxas, levantar burocracias é urgente. E é urgente outra coisa: não deixem de ter receitas, mas têm de ser obtidas de outra maneira.

O modelo actual é completamente inibidor para quem se quer instalar. Devia ser ao contrário: facilitar a instalação, não tributar com taxas logo no início, facilitar o licenciamento. As taxas devem ser aplicadas posteriormente, à medida que o investimento vai evoluindo. O modelo de tributação à cabeça tem de acabar.

Devem libertar terrenos para indústrias; ajudar já com projectos pré-instalados. Se não o fizerem, não terão investimento.

Não deve haver florestas intensivas, que propiciam os incêndios. Deve haver casas, que permitam servir de “corta-fogos”.

Os PDM em regra no País deixam 60% ou 70% do território fora da expansão urbana, o que provoca um aumento artificial do custo dos terrenos, o que conduz à necessidade de ir aos Bancos. E não devia acontecer assim. Façam ao contrário: ponham 60% ou 70% do terreno em expansão urbana; os valores baixam automaticamente, e atrai-se gente. Depois tributem progressivamente, com o andar do tempo, em função do rendimento das pessoas.

Com pequenos princípios pode chegar-se a grandes mudanças.

Com esta política de restrição aos usos dos solos, os naturais da terra são atirados para as grandes cidades, onde há desemprego e onde têm de se endividar junto dos Bancos. Ajudem as pessoas a regressar às suas terras de origem.

São algumas outras ideias, muito concretas. É tempo de pensar no futuro, se não mudarmos, outros mudarão por nós. Temos de nos libertar de burocracias que nos esmagam e dos Bancos que visam essencialmente os lucros.

Deixem de exigir projectos de infra-estruturas megalómanos que só levam ao endividamento. Exijam pequenas pontes entre localidades, acesso a Internet, pequenos projectos.

Os autarcas, que são na maioria, boa gente, têm de mudar. Os autarcas que dizem que têm de dar cabo da “Lei dos Compromissos” não sabem o que estão a dizer. Quem gasta dinheiro sem o ter é criminoso, desculpem-me a frontalidade, porque estão a comprometer o futuro.

Querem impor três novas taxas; mais taxas é mais desincentivo a quem investe. Pelo menos inicialmente, não façam isso. Comecem a cobrar, de forma progressiva, apenas ao fim de quatro ou cinco anos.

Sugiro que, no Turismo, façam coisas focadas, focalizadas: façam uma campanha localizada, por exemplo, numa cidade da Alemanha, e, com um programa de três dias, atraiam as pessoas, com o bom sol, a comida. Por vezes é mais importante que pôr um anúncio na The Economist ou numa cadeia internacional de televisão, que não dá tanto resultado.

Os empresários daqui vão a Luanda, vão a feiras internacionais, façam conhecimentos, e procurem exportar o Turismo. Basta marcar duas noites de Hotel e ir falar com os empresários locais, procurar estabelecer parcerias.

Por nossa iniciativa, ou forçados por fora, vamos ter de sair da situação em que o País se encontra. Mas há um risco que é o de continuarmos a desertificar o interior e a atirar pessoas para as grandes cidades, e isso é o que não devia acontecer.

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O Nabão, em Thomar Mil juntas de freguesia vão desaparecer até ao final do ano

2 comentários Add your own

  • 1. Casa do Concelho de Tomar  |  Outubro 1, 2012 às 11:13 am

    Obrigado pela sua participação. Tomar, a nossa querida terra, precisa urgentemente de gente que se interesse e preocupe pelo seu futuro
    Alexandre Lopes

    Responder
  • 2. Maria Manuel Alves  |  Outubro 2, 2012 às 5:12 pm

    Boa tarde, gostaria de deixar uma sugestão e em simultâneo de ser informada da viabilidade de reforçarmos os nossos laços diplomáticos com a República da Guinea Equatorial, cujo território embora tenha sido colonizado por espanhóis, foi descoberto por portugueses.

    Esta ideia surgiu-me do facto de pertencer à segunda geração de portugeses que na década de 40, 50 e 60 se estabeleceu em ” Fernando POO ” para aí se dedicarem ao cultivo, comercialização e exportação de cacau para Madrid, criando uma Sociedade Anónima para este efeito, que explorava diversas ” fincas ” conforme consta de Lista que pussuo, bem como, filme da época em super 8 ( a cores ) da referida actividade,

    aliada às notícias do ” boom económico ” que aí se tem verificado nos últimos anos, devido à recente descoberta da 5ª maior reserva mundial de petróleo ( que, a par do gás natural, constituem os recursos naturais de maior valor no país )

    e, sobretudo, à grande aptência que este país tem demonstrado em vir a pertencer à CPLP ( Comunidade de Países de Língua Portugesa ), para o que inclusivé já adoptaram a nossa lingua como lingua oficial.

    Por saber do regime político que vigora na Guiné Equatorial e da vontade de legitimação do poder instituido a par da nossa crescente necessidade de nos voltarmos para o exterior, põe-nos a pensar sobre a possibilidade de fortificarmos, intensificarmos as relações que mantemos com este país ( escassas até à data ), também para partilharmos a nossa experiência democrática.

    Parece-me que seria oportuno também que as nossas Universidades estabelecessem Protocolos com este País, dadas as suas necessidades de mão de obra qualificada e a quantidade de Licenciados que existem no nosso País, desempregados.

    Aguardo a sua prezada resposta.

    Responder

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