“OS GRANDES PORTUGUESES” – FERNANDO LOPES-GRAÇA

Outubro 13, 2006 at 8:59 am Deixe um comentário

Fernando Lopes-Graça – Compositor – 1906-1994

“Fernando Lopes-Graça deu um inestimável contributo na democratização do acesso à música e no estudo da música portuguesa. Desdobrou-se por múltiplas actividades: pianista, compositor, pedagogo, crítico e ensaísta. Organizou inúmeros eventos musicais. Activo opositor ao regime salazarista, só no fim do Estado Novo é que teve um efectivo reconhecimento oficial, que se traduziu em inúmeras homenagens e encomendas. Mesmo assim, nos anos de 1940, 1942, 1944 e 1952 ganhou os prémios de Composição do Círculo de Cultura Musical.

Apesar do seu inequívoco e activo envolvimento político, Fernando Lopes-Graça disse que não se enquadrava nas categorias de “compositor político” ou “político compositor”. Fê-lo numa entrevista que concedeu em 1986, no ano do seu 80.º aniversário, com a distância crítica que o fim do regime do Estado Novo já lhe proporcionava. Este pianista, compositor, pedagogo, crítico, ensaísta, organizador de eventos musicais e estudioso da música tradicional portuguesa, acreditava na enorme importância da arte e cultura na construção da sociedade e no progresso da Humanidade. A premissa estética modernista de que partiu foi inscrita por uma acutilante consciência social, que coincidiu com os primeiros anos do Estado Novo.

A sua posição política ficou mais definida e consistente. Tornou-se militante do Partido Comunista Português por volta de 1944, integrando em 1945 o MUD (Movimento de Unidade Democrática).

A obra de Lopes-Graça é o resultado da confluência e relação de três aspectos centrais no seu percurso: influência das correntes modernistas, recuperação da tradição e envolvimento político. O que o leva a procurar o Portugal real e não o país harmonioso que era então vendido pela propaganda do Estado Novo. O foco do seu trabalho de criação musical é a vida, o homem, a sociedade nas suas efectivas e reais existências. As práticas artísticas e sociais interpenetram-se, não são duas realidades distintas sem qualquer relação uma com a outra. E o artista é parte integrante do corpo social.

A postura politizada começa logo por ter consequências no facto de Lopes-Graça não poder ter uma influência marcante no ensino que se faz nas escolas públicas, depois de concluir o Conservatório Nacional de Lisboa, onde estudou entre 1924 e 1931. Duas detenções, por motivos políticos, impedem-no de ensinar nestas escolas, mesmo depois de ter conseguido uma vaga como professor de piano no Conservatório. Em 1954, vê esta proibição estender-se às instituições privadas. É, portanto, a inesgotável produção ensaística e a constante presença na imprensa como crítico, por mais de 40 anos, que o tornam incontornável na pedagogia musical que foi teorizada e praticada durante o Estado Novo.

Para este trabalho, foram importantes os dois anos que esteve em Paris, de 1937 a 1939, a frequentar o curso de Musicologia da Sorbonne. Em 1942 obtém o prémio do Círculo de Cultura Musical com “História Trágico-Marítima”, com poema de Miguel Torga.

No fim dos anos 50 colabora com o investigador Michel Giacometti na recolha da música regional e tradicional portuguesa: canções de berço, toadas ao redor da morte, cantigas de noivado e casamento, cantos de trabalho, cantigas e danças para as festas e arraiais e canções de bem-querer e maldizer. Recolha que dará origem ao primeiro volume de “Antologia de Música Regional Portuguesa”.

A obra de Lopes-Graça, ao falar da essência do ser português, fala também do ser humano, dos momentos de felicidade e tragédia. Depois da Revolução de 25 de Abril de 1974, quando é finalmente reconhecido pelo Estado, compõe, em 1979, “Requiem pelas Vítimas do Fascismo em Portugal”. O sofrimento de uns é o sofrimento de outros.”

P. S. A propósito, no próximo Sábado, pelas 21h30, Cristina Brito da Cruz, Miguel Oliveira e Silva e Sérgio Azevedo reunem-se para falar sobre Lopes-Graça no Auditório Conde de Ferreira, em Sesimbra.

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LINHACEIRA NA NET “O TEMPLÁRIO” (12.10.06) / “CIDADE DE TOMAR” (13.10.06)

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