Archive for Junho, 2005
AG DO U. TOMAR SUSPENSA ATÉ 4 DE JULHO
A Assembleia Geral que tem por objecto a eleição dos órgãos sociais do U. Tomar foi suspensa até 4 de Julho, perante a reclamação da actual Direcção, na pessoa do seu presidente, Manuel Graça, de que apenas estaria disponível para se recandidatar se a Câmara Municipal de Tomar desse garantias de apoios, passando nomeadamente pela possibilidade de o clube regressar ao Estádio Municipal (agora com piso sintético), já a partir de Setembro.
Também o antigo presidente do clube, Rui Martinho, mantém diligências no sentido de formar eventualmente uma lista candidata às eleições.
Na Assembleia iniciada no passado dia 16, todos os cenários foram equacionados, inclusivamente a suspensão do futebol senior.
Todos os tomarenses desejarão que o U. Tomar consiga alcançar a melhor solução para o seu futuro que passará necessariamente – a par da recuperação financeira – pelo regresso a níveis competitivos mais condizentes com o seu historial.
Até porque os quadros competitivos da A. F. Santarém se encontram em reestruturação, prevendo-se que a I Divisão Distrital venha a ser disputada, na época 2006-07, em duas séries (Norte e Sul); dessa forma, deverão ser promovidas da II Divisão Distrital na próxima época (2005-06) diversas equipas, de forma a completar o novo quadro da I Divisão.
Junho 30, 2005 at 6:05 pm Leonel Vicente Deixe um comentário
“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (IX)
“Mas Tomar, que não teve prejuízo grave com o terremoto de 1755, recebeu benefício industrial no período pombalino e logo depois, fundindo, em 1771, a antiga fábrica de meias de seda com uma fábrica de chapéus de 59, numa unidade só, e, em 1788, o empreendedor Jácome Ratton aqui implantaria uma fábrica de fiação de algodão por compra da de meias de seda, com elaboração em 94, e associando-se em complicada tramóia a um técnico, francês também, Thimothée Verdier, que deixaria descendência na cidade – embora tenha tido intervenção suspeita durante a primeira invasão francesa, que lhe valeu ser expulso do país, ou «setembrizado».
Ratton já tinha então deixado, há muito, a empresa que, tendo tido ao princípio questões de interesses com a Ordem de Cristo (de que Ratton era cavaleiro), sempre por causa das águas motoras da indústria, em 1816 estava na mão de um italiano, imigrado também, Schiappa Pietra, que teria igualmente descendência nabantina.
[…]
Porque outra indústria se desenvolveria em Tomar, ali se centralizando, e foi a indústria do papel que, no Prado (onde houvera ferrarias antigas, já em 1504) e na Matrena (onde já em 1327 havia moinhos de moer farinha, e em 1595 se dera alvará para fabrico de vidro) tiveram renome, com o mesmo Pietra e seu descendente, por aliança, no sítio, que foi João Casquilho; e ainda em Porto Cavaleiros, em 1876, se produziu papel até aos anos 1920, a certa altura nas mãos de Torres Pinheiro, e mais Marianaia onde houvera lagares da Ordem, numa unidade que o Prado absorveu em 1879 e só fechou em 1971, na crise que sobre esta indústria desabou.”
Tomar – «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, p. 22
Junho 30, 2005 at 8:52 am Leonel Vicente Deixe um comentário
“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (VIII)
“A vinda do rei espanhol de Portugal foi pacífica em Tomar, mesmo se D. António pretendente, que aqui estivera desterrado pelo cardeal-rei seu tio, durante seis meses de 1579, tivesse podido contar com partidários locais, como o seu fiel conde de Vimioso que do pai herdara a alcaidaria da vila.
Ali se reuniram finalmente as cortes que aclamaram D. Filipe I de Portugal, e ali ele foi solenemente jurado, em grandes festejos e arco triunfal de construção efémera na Praça de D. Manuel, à glória de «Philippo Invitissimo», com o duque de Bragança, seu primo direito pelas esposas de ambos, em condestável do reino perdido e assim «herdado, conquistado e comprado»…
Tendo passado dois meses e meio no Convento, o rei Filipe ofereceu aos frades hospedeiros não só protecção, mas o magnífico aqueduto que veremos, além de fazer terminar, pelo seu arquitecto Terzi, obras importantíssimas no Convento, como veremos também.
E durante esses dias de corte, um certo militar, Miguel de Cervantes, veio a Tomar receber ordens de marcha…
[…]
Já foi sob D. Filipe III que se criou a feira de Sta. Iria na vila – que em 1627 assinalou uma vitória cívica contra os freires de Cristo pela posse de certa parte da Várzea Grande, com um padrão que ali se ergueu e ficou.”
Tomar – «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, pp. 20, 21
Junho 29, 2005 at 8:51 am Leonel Vicente Deixe um comentário
“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (VII)
“Nos paços henriquinos, necessariamente adaptados, viveu D. Manuel, duque de Beja, administrador da Ordem por sucessão de irmão e pai; e também ao rei que foi, depois ficou devendo Tomar um novo e notável progresso. Ele dedicou-se à vila, corrigiu-lhe o curso do rio, deu-lhe casas de Câmara na Praça de S. João Baptista (que seria de D. Manuel), absorvendo as «boticas» da feira e com pelourinho defronte, e um hospital centralizado da Misericórdia, em 1520, na linha de assistência que sua régia irmã criara – e uma nova carta de foral em 1510.
«Ferrarias» no Prado, para fabrico de armamento, já antes de 1504, lagares e moinhos, celeiros e adegas foram ainda mandados construir por D. Manuel – e «d’El Rei» muitas dessas construções foram, por gratidão e hábito, chamadas pelos tomarenses, até aos dias de hoje. E a importante ponte da vila foi igualmente renovada por ele.
Também então o Convento de Cristo recebeu obras que lhe definiram o estilo dito muito mais tarde «manuelino», e logo na célebre janela que o simboliza.”
Tomar – «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, pp. 16, 17
Junho 28, 2005 at 8:45 am Leonel Vicente Deixe um comentário
“TOMAR”, DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (VI)
“A acção do Infante à frente da Ordem de Cristo foi considerável como todo o poder dos cavaleiros, que aumentou por força de novos estatutos em 1426, e de reformas desejadas, de que foi incumbido em 1434, mas só com aplicação em 1443 e sobretudo 49, D. João Vicente, bispo de Lamego, antigo médico de D. João I. Eram elas conformes aos estatutos da Ordem de Calatrava, modelo que lhe fora, já em 1319, e agora mais imposto.
Grandes obras no castelo-convento foram levadas a cabo, e ali o Infante residiu até se fixar, já em anos 40, no Algarve, na chamada Vila do Infante, desaparecida e de hipotética localização, onde morreria em 1460 (mas em 1451, por exemplo, estava em Tomar), deixando em testamento à Ordem as suas ilhas açoreanas de S. Miguel e de Sta. Maria que, como o restante arquipélago, recebera do rei, e indo as outras para a coroa ou para o sobrinho herdeiro.
Paços de residência no castelo, outros, possíveis, ditos da Ribeira, existentes à Várzea Grande, onde se julga que veio a morrer o Rei D. Duarte em 1438, abrilhantaram a vida da povoação que muitas figuras henriquinas atravessaram.
Ali D. Henrique realizou grandes obras civis, adaptando a ponte, fundando Estaus de novidade urbana, como em Lisboa fizera o irmão D. Pedro, e aqui para uso de visitantes e criadagem dos Mestres e dos cavaleiros, e também de feirantes, já que, em 1420, uma feira foi criada, a seu pedido, em Tomar, por autorização régia e com privilégios então únicos no país (Virgínia Rau, 1960).”
Tomar – «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, p. 16
Junho 27, 2005 at 8:50 am Leonel Vicente Deixe um comentário
“O TEMPLÁRIO” (23.06.05) / “CIDADE DE TOMAR” (24.06.05)
Junho 26, 2005 at 8:40 pm Leonel Vicente Deixe um comentário
U. TOMAR – “CRÓNICAS DA HISTÓRIA” (IV)
Crónica publicada em “A BOLA”, em 26 de Maio de 1969
“SPORTING, 2 – UNIÃO DE TOMAR, 0
DAMAS NÃO EXECUTOU NEM UMA ÚNICA DEFESA
Estádio de Alvalade.
Muito público («mais de meia casa»). Tarde amena e soalhenta. Relvado em boas condições.
Árbitro: Rosa Nunes, de Faro.
SPORTING — Damas, Pedro Gomes, Armando, Alexandre Baptista e Hilário; José Morais e Pedras; Chico, Lourenço, Màrinho e Oliveira Duarte.
UNIÃO DE TOMAR — Conhé; Kiki, Caló, Faustino e Barnabé; Ferreira Pinto, Cláudio e Santos; Leitão, Alberto e Totoi.
Lourenço esteve em campo escassos sete minutos. Vítima de uma lombalgia, deu lugar a Gonçalves, que entrou para a posição de José Morais, avançando este para o do companheiro lesionado. No começo do segundo tempo, Santos foi substituído. Oito minutos após o recomeço, Leitão foi expulso. Aos 18 minutos da segunda parte, Totoi foi substituído por Leitão.
Ao intervalo, 1-0.
Faltavam dois minutos para o termo da primeira parte, quando o Sporting obteve o seu primeiro golo. No flanco esquerdo do ataque «leonino», José Morais esgueirou-se com a bola até próximo da linha final de onde executou um centro primoroso, por alto para a grande área tomarense. Em dificuldade, Conhé limitou-se a desviar a bola, ligeiramente, com a palma da mão, acabando por colocá-la nos pés de CHICO, que, com um pequeno toque, a enviou para dentro das redes unionistas.
Aos dois minutos do segundo tempo, 2-0.
Pedro Gomes, a jogar à boa maneira dos defesas laterais modernos, executou um centro, por alto. Antecipando-se a Conhé, PEDRAS «voou», e, de cabeça, marcou um golo espectacular.
Pela primeira vez, esta época, o Sporting venceu a equipa do União de Tomar.
O acontecimento só merece registo por isso mesmo, por ter acontecido que, nos dois encontros do «Nacional», a equipa «leonina» não tivesse logrado bater o grupo tomarense, que, não obstante a sua meritória carreira na prova maior do futebol português, está muito longe de poder comparar-se, seja qual for o ângulo de apreciação ao seu poderoso adversário lisboeta.
O triunfo sportinguista de ontem teve, pois, o cunho da mais absoluta normalidade. Verdadeiramente, não se trata de uma rectificação, porque para vencer o União de Tomar, o Sporting nem precisa de rectificar o quer que seja. A categoria individual dos seus jogadores, a capacidade global do seu conjunto, a força psicológica da sua grandeza histórica no ângulo do futebol nacional e internacional, têm de constituir, habitualmente argumentos e factores decisivos na luta entre os dois adversários de ontem, em Alvalade.
Com efeito os «leões» não careceram, sequer de realizar aquilo a que soe chamar-se uma grande exibição, para alcançarem a vitória.
E, todavia, o resultado não foi assim tão expressivo que exclua uma certa sugestão de dificuldade, especialmente para quem, não tendo assistido ao encontro, estivesse à espera de uma diferença mais expressiva.
Terá sido assim? Terá o Sporting passado por tantos embaraços e dificuldades como a vantagem (relativamente escassa) parece sugerir?
Em nossa opinião, não, embora devamos acrescentar que nós próprio esperávamos bastante menos do União de Tomar, que se dizia «estar de gatas» nesta fase final da época, e bastante mais da equipa sportinguista, que nos garantiam encontram-se em «forma» transcendente. E pensamos que não, que o resultado não significa aquilo que parece sugerir, por várias razões.
Em primeiro lugar, porque o Sporting marcou «apenas» dois golos, mas construiu e desperdiçou oportunidades para muitos outros, na linha, aliás de um «mau hábito» que nas últimas épocas, tem vindo a afirmar-se como uma deplorável tradição do ataque «leonino».
Em segundo lugar, porque a fraca produtividade dos dianteiros lisboetas não foi, apenas, mera consequência de erros e desacertos dos jogadores «leoninos», no capitulo de remate ao golo, pois importa esclarecer, desde já, que a equipa nabantina nos deu a sensação de não pensar noutra coisa que não fosse o objectivo de… «perder por poucos». E sabe-se como é difícil para qualquer equipa, quando topa pela frente com um adversário mentalizado e preparado para aquele fim, marcar muitos golos.
Enfim e em suma, este resultado vale pelo que vale e não por aquilo que possa sugerir a quem não presenciou a partida. O Sporting não se «rectificou» nem se transcendeu, ao vencer o União de Tomar por dois golos de diferença; a equipa tomarense não se «desmentiu» nem se diminuiu, mesmo em relação ao que lograra no decurso do «Nacional», ao sair derrotada de Alvalade.
«Perder, sim… mas devagar»
Temos escrito, várias vezes, que os esforços de uma equipa no sentido de evitar uma derrota copiosa são tão legítimos e tão respeitáveis como os daquela que concentram todas as suas energias e faculdades no objectivo de alcançar uma vitória expressiva, desde que, evidentemente, os medos utilizados para esse fim não infrinjam as regras do jogo e os preceitos da boa ética desportiva.
É claro que, num encontro com as características daquele a que nos referimos, em que o resultado deve ser encarado como se fosse, apenas, o da primeira parte de uma partida de 180 minutos, a legitimidade e a justificação de tais esforços são ainda maiores.
Sob esse aspecto, portanto, não parece que haja algo a censurar no comportamento do União de Tomar, que, com o pensamento da segunda «mão», em que poderia (e poderá) arriscar tudo por tudo, veio a Alvalade, não para tentar o triunfo, mas apenas para não comprometer, em excessos de audácia e de imprudência, as suas (magras) probabilidades futuras. Para a equipa nabantina, o essencial era que o encontro do próximo domingo ainda «valesse a pena».
Se com os dois golos de desvantagem, esse objectivo foi alcançado, é o que nos parece muito duvidoso, sem que isso invalide, todavia, a oportunidade e o bom fundamento das cautelas tomadas na partida de Alvalade.
De resto, também sob o ponto de vista estritamente desportivo, os tomarenses não incorreram, salvo duas ou três excepções lamentáveis uma das quais, a mais grave, passou impune, em atitudes que merecessem reparo ou reprovação.
Não deixa de ser curioso e digno de realce o facto de o União, embora fidelíssimo ao seu propósito de «perder, sim, mas devagar», haver adoptado um dispositivo de jogo algo diferente do que é habitual nestes casas. Efectivamente, os visitantes não procuraram defender-se pela colocação de uma cerrada cortina defensiva nas imediações da sua grande área, mas sim pelo «povoamento» do seu meio-campo, confiado a um grupo de quatro ou cinco jogadores nabantinos.
Que pretendia o União com tal estratagema, táctico? Em primeiro lugar, evitar que os centrocampistas adversários dispusessem do tempo e dos espaços necessários à «montagem» e ao lançamento das suas jogadas de ataque, na convicção (lógica) de que, secada a fonte, seca ficaria a corrente das avançadas sportinguistas: em segundo lugar, ter sempre à mão os reforços indispensáveis à segurança da sua defesa, nos momentos em que, rota e ultrapassada «primeira linha» (a linha do meio-campo), se tornasse necessário conter o adversário na «última barreira.
Forçoso é reconhecer que os planos da equipa visitante alcançaram relativo êxito. Com efeito, não só o meio-campo do Sporting sentiu inelutáveis dificuldades para cumprir as missões que lhe competiam, faltando ao ataque com os «fornecimentos» e apoios que deveriam ser da sua iniciativa e responsabilidade, como também os dianteiros lisboetas, atingida a zona mais próxima das balizas tomarenses, raramente puderam gozar da liberdade de movimentos indispensáveis a uma concretização adequada aos lances de remate ao golo.
Por outras palavras: o Sporting foi, pelo menos até ao intervalo, uma equipa pouco e mal organizada a meio-campo como força de ataque, viu-se constrangida a «viver» dos rasgos de talento e de iniciativa pessoal deste ou daquele jogador em especial de Oliveira Duarte cuja «forma», depois de vários anos de árdua permanência em África temos de considerar verdadeiramente sensacional.
Tudo isto, ou quase tudo foi, afinal, em nossa opinião, consequência do dispositivo táctico adoptado pelos Jogadores do União e da maneira hábil e delicada como eles souberam executado verdade, por outro lado, que o Sporting, não obstante todos os contras e dificuldade referidas, esteve, mais de uma vez, com o golo nos pés de um ou de outro dos seus avançados (Marinho, José Morais, Chico), antes de, no penúltimo minuto da primeira parte, haver logrado «adiantar-se no marcador». Essas foram, porém, as excepções que confirmavam a regra.
Desta sorte, ao atingir-se o intervalo, com os «leões» a vencerem por 1-0, poderia afirmar-se, com propriedade, que o União estava a obter relativo êxito no seu plano de «perder, sim, mas devagar».
«Goleada» prometida…e falhada
Ficámos com a sensação de que só o facto de o primeiro golo do Sporting ter aparecido a dois minutos do Intervalo impediria que o União de Tomar se deixasse perturbar e desmoronar pelas consequências psicológicas, que pensávamos, dele teriam, forçosamente, de resultar.
Ora aconteceu que os «leões» alcançaram o segundo tento quando iam decorridos apenas dois minutas da segunda parte. Foi um golo bonito, desde o desenho do lance, a cargo de Pedro Gomes, até à sua conclusão, da autoria de Pedras.
Cremos que, a partir daí, se terá generalizado na assistência a ideia de que o Sporting ia partir, finalmente, para a «goleada». Nós próprios partilhámos dessa opinião, que tínhamos por tanto lógica e fundamentada quanto era certo que os jogadores tomarenses já davam nessa altura, iniludíveis sintomas de cansaço físico. O União, com efeito, já não era (nem voltaria a sê-lo) a mesma equipa da primeira parte.
O seu meio-campo, de um modo especial, perdera a elasticidade de movimentos e a capacidade de recuperação, que, antes, lhe haviam permitido desdobrar-se, rápida e constantemente, entre a tarefa da marcação aos centro-campista adversários e o encargo de correr, nos momentos difíceis, em auxílio dos seus companheiros da defesa.
Na impossibilidade de cumprir as duas missões, os jogadores visitantes desse sector decidiram (ou foram forçados a isso) reservar as energias de que ainda dispunham para a segunda, isto é, para darem apoio aos colegas do reduto defensivo ainda e sempre na mira de perderem o jogo, sim, mas pela diferença mínima possível.
É fácil de imaginar o que se passou depois. A bola, que, na primeira parte, já se demorava por longos períodos no meio-campo defendido pelo União, quase não voltou a sair dele, até ao fim do encontro.
A expulsão de Leitão, oito minutos após o intervalo, mais viera agravar as dificuldades da equipa visitante, até porque os próprios defesas «leoninos», libertos das preocupações (relativas) que lhes dava a proximidade daquele avançado nabantino, chegaram a «estabelecer-se com armas e bagagens» para lá da linha divisória central, tornando ainda mais premente e avassaladora a ofensiva da equipa lisboeta.
O facto registado no título desta crónica dá, aliás, uma ideia exacta da forma como decorreu o jogo, de um modo especial o segundo tempo: «Damas não executou, nem uma só defesa!» Aí está um pormenor bem significativo. Em muitos anos de futebol, não nos lembramos de ter visto um guarda-redes limitar a sua actividade a receber passes dos companheiros e a executar pontapés de saída. Aconteceu ontem, em Alvalade.
Apesar de tudo o que atrás se refere, o Sporting não logrou aumentar o seu avanço de dois golos. Porquê? Porque o União de Tomar contou com um guarda-redes extremamente seguro, brilhante e feliz; porque, em frente das balizas deste, de «sofreguidão», que o leva a querer executar a jogada com maior rapidez do que aquela com que pode pensar. Não andem as pernas mais depressa do que o radocínio. A velocidade é uma das suas grandes armas. Conserve-a mas colocando-a, sempre, ao serviço das necessidades de cada lance e momento.
Sensacional, para nós, que ainda não o tínhamos visto jogar desde o seu regresso de África, a exibição de Oliveira Duarte. Depois de alguns anos de ausência, chega a Lisboa, regressa à sua equipa e torna-se, logo, o melhor avançado do Sporting. É um ambidestro notável, um género de extremo que fazia falta ao seu clube e ao próprio futebol nacional.
Lourenço esteve em campo seis ou sete minutos. E foi pena (para ele e para a sua equipa), pois temos para nós que, em especial durante a primeira parte, a sua presença no eixo do ataque «leonino» poderia ter ficado assinalada por mais um golo.
A equipa tomarense valeu, especialmente, pelo seu espírito de companheirismo, pela sua homogeneidade, pela fidelidade demonstrada na execução do plano que lhe havia sido confiado. Tal não impede, todavia, que se faça uma referência especialíssima à actuação de Conhé, supremo responsável pela «magreza» do triunfo sportinguista.
Acrescentaremos apenas mais duas notas pessoais: em referência a Santos, para verberarmos a sua agressão (sem bola e sem razão) a Oliveira Duarte; em relação a Leitão, para sabido ou estranharmos põe ao serviço da equipa as suas magnificas aptidões de futebolista. Foi o único e desnecessário «solista» do União de Tomar.
O Sr. Rosa Nunes, quando errou, foi por iniciativa ou por omissão dos seus auxiliares. No primeiro caso, marcando um ou outro «off-side» em desfavor do Sporting, sem motivo para isso, deixando sem o devido castigo uma agressão a Oliveira Duarte, facto que o árbitro não deve ter visto, por estar longe e de costas voltadas para o incidente, mas do qual julgamos ter-se apercebido o seu auxiliar. Quanto à expulsão de Leitão, não temos dúvida em que este entrou em falta sobre Armando, nos pareceu esta gravidade que o Sr. Rosa Nunes lhe atribuiu.”
ALFREDO FARINHA
Junho 26, 2005 at 11:13 am Leonel Vicente Deixe um comentário






