Archive for Março, 2004

“BLOGOSFERA REGIONAL” (VIII)

E eis-nos chegados ao nosso Distrito, de Santarém; do Ribatejo Norte até ao Ribatejo Sul, passando por Abrantes, Coruche, Ferreira do Zêzere, Ourém, Sardoal e, claro, por Tomar (incluindo o próprio Tomar)!

Abrantes

Mar de Abrantes

Conspirações da Vila de Coruche

Coruche

Em Coruche…

Por Ferreira (Ferreira do Zêzere)

O Castelo (Ourém)

Pensar Sardoal

Sardoal Virtual

Santa Cita (Tomar)

Thomar

Tomar.

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Março 31, 2004 at 6:32 pm Deixe um comentário

INVENTÁRIO DO PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO (IX)

Cerca do Convento de Cristo / Mata Nacional dos Sete Montes

“No vale, logo à entrada, um jardim com buxo recortado à francesa, alonga-se no sentido ascendente ladeado por árvores, seguido de uma 1ª plataforma com um parque infantil e de uma 2ª com um caramanchão e um tanque. A mata é povoada por acácias, vários tipos de pinheiros e de coníferas, dispostas pelo meio de inúmeras veredas, serpenteando pelas encostas. Perfeitamente integrados na mata vestígios arquitectónicos seiscentistas: uma casa de fresco maneirista de planta circular (a charolinha), rematada por cúpula, com pilastras jónicas adossadas, no meio de um tanque também circular, com 4 pontes de acesso; no topo da cerca, encostado ao muro de vedação, a NO., um tanque de rega, quadrangular, de grandes dimensões, com espaldar ondeante, que recebia água do aqueduto dos Pegões.”

“Cronologia – Inicialmente pertença do Convento de Cristo, em cujo perímetro se encontrava, passou depois para o Conde de Tomar, quando este comprou parte do convento, após a extinção das Ordens religiosas; 1936 – adquirido pelo Estado, foi entregue aos Serviços florestais de Sintra, a quem se deve o ajardinamento e parte do reflorestamento; 1949 – é construído o muro de vedação da entrada principal.”

(via página da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais)

Março 31, 2004 at 1:55 pm Deixe um comentário

NOVAS ENTIDADES ADMINISTRATIVAS

A propósito da criação de novas entidades administrativas em Portugal, escreve hoje Manuel Carvalho, no Público, um artigo de crítica intitulado: “Retalhos da Vida de Um País”:

“O mapa está praticamente desenhado e o disparate à vista. Não, a criação de novas entidades administrativas proposta pelo Governo para concretizar a sua política de descentralização não chegou a transformar-se no caos que muitos temiam porque, ao contrário da generalização abusiva, a maioria dos autarcas portugueses não padece de falta de senso. Mas basta olhar para o mapa que hoje editamos para se perceber o óbvio: é impossível levar à prática uma política descentralizadora coerente, equitativa e eficaz quando à mesma mesa se sentam pesos-pesados como as áreas metropolitanas de Lisboa ou Porto e as ínfimas comunidades intermunicipais do Alto Minho ou do Pinhal.

Com este Governo pressentiu-se desde o início uma sincera vontade de transformar em actos a sempre invocada e outras tantas vezes adiada promessa da descentralização. E seria, no mínimo, injusto dizer que não houve por parte do secretário de Estado Miguel Relvas e até de Durão Barroso um esforço para que o processo fosse pautado pela sensatez. Mas, ao conceder aos municípios o poder de desenhar a base da política regional, esta estratégia continha na sua origem um vício que determinou os males que hoje se registam. Ao querer deixar o processo ao livre arbítrio dos autarcas, o Governo conseguiu apagar de uma só vez o vasto e importante pensamento que o país produziu nos últimos 40 anos sobre a política regional.

Temos agora pela frente o esboço incompleto do que será o futuro mapa administrativo do país e de imediato nos surge a imagem da sua irracionalidade. Matam-se os distritos, comprometem-se as regiões plano (das CCR), atropelam-se as NUT III e deste processo destruidor nascem unidades a eito. O Governo acredita que mais tarde as mais frágeis se hão-de reunir; diz até que, num prazo mais longo, será com as suas fronteiras que se redigirão os novos círculos eleitorais; levando o processo ao cúmulo, admite-se a eleição directa dos seus dirigentes, o que acabaria por lhe conferir legitimidade política que é a marca distintiva das entidades regionais de quase todas as democracias credíveis do mundo. Se o objectivo era este, porque não procurar um modelo que evitasse os riscos que hoje minam esta descentralização?

Este modelo de descentralização transformou-se num monumento ao demissionismo do Estado e num perigo para as fragilidades das regiões desfavorecidas. Enquanto no Litoral urbano e desenvolvido se criaram unidades com um mínimo de coerência e massa crítica, o Interior embrulhou-se num destruidor ambiente de separação e ruptura – nem as “míticas” regiões de Trás-os-Montes e Alto Douro e o Alentejo escaparam à divisão. Ou seja, as regiões mais ricas são as que vão dispor de mais poder demográfico (logo, político) para negociar com a administração central. O que está em curso é também por isso um atentado à coesão nacional e um atestado de irresponsabilidade ao poder. Bem vistas as coisas, nem o excesso de voluntarismo do Governo, nem o vergonhoso silêncio da oposição ficam bem nesta fotografia.”

Março 31, 2004 at 12:42 pm Deixe um comentário

FERNANDO LOPES GRAÇA (I)

Foto FLGraca

Fernando Lopes Graça nasceu em Tomar a 17 de Dezembro de 1906, cidade sobre a qual escreveria que é onde «o monumento completa a paisagem; a paisagem é o quadro digno do monumento; e a luz é o elemento transfigurador e glorificador da união quase consubstancial da Natureza com a Arte.»

Apenas com 14 anos, começou a trabalhar como pianista no Cine-Teatro de Tomar, procedendo ele próprio aos “arranjos” dos trechos que interpretava, tocando peças de Debussy e de compositores russos contemporâneos. Na época, competiam em Tomar as duas bandas rivais: Gualdim Pais e a Nabantina.

Em 1923, frequenta o Curso Superior do Conservatório de Lisboa, tendo como professores: Adriano Meira (Curso Superior de Piano), Tomás Borba (Composição) e Luís de Freitas Branco (Ciências Musicais); em 1927, frequenta a Classe de Virtuosidade, onde tem como professor o maior pianista português de todos os tempos: Mestre Viana da Motta (antigo aluno de Liszt).

Em 1928, frequentaria também o curso de Ciências Históricas e Filosóficas na Faculdade de Letras de Lisboa, que viria a abandonar em 1931, em protesto contra a repressão a uma greve académica.

Entretanto, funda em Tomar o semanário republicano “A Acção”.

Em 1931, conclui o Curso Superior de Composição com a mais alta classificação, concorrendo de seguida a professor do Conservatório, em piano e solfejo, o que lhe viria a ser vedado devido à sua oposição ao regime político, sendo inclusivamente preso e desterrado para Alpiarça.

Leccionaria na Academia de Música de Coimbra, vindo a colaborar na Revista “Presença”, um dos esteios da poesia em Portugal.

Em 1937 ganha uma bolsa de estudo para Paris, a qual contudo lhe seria igualmente recusada por motivos políticos. Não obstante, decide partir para França por conta própria, aproveitando para ampliar os seus conhecimentos musicais, estudando Composição e Orquestração com Koechlin.

Março 31, 2004 at 8:25 am 3 comentários

INVENTÁRIO DO PATRIMÓNIO ARQUITECTÓNICO (VIII)

Castelo

Castelo de Tomar

“Planta irregular. Cortina de muralhas ameadas sobre forte talude, com seteiras crucíferas nos merlões, circundada por adarve; irregularmente angulosa, é guarnecida de cubelos semicilíndricos e semiquadrangulares, rematada no ângulo SE. por torre de planta rectangular (Torre da Raínha) e no ângulo SO. por torre circular (Torre da Condessa); a Charola reforçava a cortina O.. Uma porta rasga-se do lado S., numa reentrância do pano, entre cubelos rectangulares, a Porta do Sangue, a outra, a porta do Sol, abre para o terreiro, comunicando com uma porta exterior, a porta de Santiago, por calçada que circunda a Alcáçova. Esta, de planta escudiforme, é reforçada a S. por torreão de planta quadrangular, a E. por pesado contraforte triangular; no canto NO. ergue-se a Torre de Menagem, de planta rectangular, em 3 andares. No pano murário da Alcáçova rasgam-se janelas de sacada; o mesmo sucede na cortina que se estende para N., até à fachada do convento. Na Torre da Raínha rasgam-se janelas maineladas, nas 2 faces viradas para a vila.”

“Cronologia – 1160, 1 de Março – Início construção do castelo, segundo inscrição na Torre de Menagem; 1499 – abandono da população que vivia intramuros, por ordem de D. Manuel; 1533, c. de – os” Paços da Raínha” prolongam-se até à muralha e alcáçova (VITERBO, 1899); adaptações feitas no interior da Torre da Raínha, até então conhecida como “torre do relógio”; 1618 – para se construir a portaria filipina é destruída a torre do ângulo NO. da cortina (JANA, 1991)”

(via página da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais)

Março 30, 2004 at 6:20 pm 1 comentário

“T DE LEMPICKA”

No cenário único do Convento de Cristo em Tomar, Carlos Carvalheiro e o seu grupo “FATIAS DE CÁ”, levaram à cena, já em várias ocasiões, a peça teatral “T de Lempicka”.

Em 1927, a pintora polaca Tamara de Lempicka visita Itália a convite do intelectual italiano Gabriele d’Annunzio, para lhe pintar o seu retrato, mas d’Annunzio só pensa em seduzi-la…

Estamos em Itália, em pleno regime fascista de Mussolini e vamos ser recebidos como convidados na casa de Gabriele d’Annunzio, repleta de intrigas politicas e sexuais, provocando a chegada de Tamara resultados “explosivos”.

A acção podia ser acompanhada de sala em sala, partilhando de um jantar-buffet enquanto se revive a Itália dos anos 20.

O público observa a acção da peça seguindo os actores que entram e saem das diversas salas do Claustro dos Corvos no Convento de Cristo, pelo que, cada espectador pode escolher a “peça” que quer ver…

Na primeira sala encontramos Aldo Finzi, polícia fascista, por quem temos de passar para carimbar o nosso passaporte e validar a entrada na casa. Feitas as apresentações e conhecidas todas as personagens (hóspedes e criados de d’Annunzio), teremos de optar quem vamos seguir para o cenário seguinte: Emilia Pavese, a criada ladra de d’Annunzio; Luisa Baccara, célebre pianista; Aélis Mazoyer, a governanta; ou aguardar com Gabrielle d’Annunzio, na sala inicial, a chegada da pintora Tamara Lempicka – que logo abandonam a sala, deslocando-se para o quarto.

De sala em sala, a trama vai-se desenrolando até ao seu final inesperado, entre segredos, sonhos e traições…

P. S. Que extraordinário seria se a companhia de teatro FATIAS DE CÁ conseguisse levar por diante a ideia de encenar, também no Convento de Cristo, “O Nome da Rosa”, de (e com a participação de) Umberto Eco…

Março 30, 2004 at 12:50 pm 1 comentário

“FATIAS DE CÁ”

fatias_de_ca_logo.gifCriado em Tomar em 1979, o “Fatias de Cá” inspira o seu nome no doce conventual local “Fatias de Tomar”.

Actualmente composto por cerca de 115 membros (profissionais e amadores),  tendo Carlos Carvalheiro como Director Artístico, e usando como lema “Não resistimos nem a uma ideia nova nem a um vinho velho“, tem-se expandido numa perspectiva regional, tendo criado núcleos na Chamusca, V. N. Barquinha, Constância e Lisboa.

Nesta companhia, de grande “humildade teatral”, segundo Carlos Carvalheiro, “todos fazem tudo”. Nem todos os elementos são profissionais, sendo aceites inscrições para colaboração com o grupo (no final de cada peça, é distribuída um inquérito / ficha de inscrição).

Nos 25 anos de vida, utilizando de uma forma interactiva o património construído e paisagístico (nomeadamente o Convento de Cristo e a Mata dos Sete Montes, por exemplo), o “Fatias de Cá” estreou mais de 30 espectáculos, desde Karl Valentim a Choderlos de Laclos, passando por Dario Fo, Frati, Gil Vicente, Yourcenar, Shakespeare, Lorca, Mozart, Plauto e Ackbourn e participou em Festivais de Teatro por todo o mundo, contribuíndo para tornar Tomar numa cidade de referência a nível cultural.

Em particular, refira-se a estreia, em Agosto de 2000, na Mata dos Sete Montes, em Tomar, do espectáculo “Sonho de Uma Noite de Verão”, de William Shakespeare, e “T de Lempicka”, estreado em 1998, reposto em 2000 e, novamente, em 2003 – peça que o Director Artístico considerou como “a maior experiência teatral da sua vida” (implicando nomeadamente um rigoroso planeamento das várias cenas que decorriam em simultâneo, em diversas salas do Convento de Cristo).

Março 30, 2004 at 8:35 am 2 comentários

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