Pacheco Pereira diz que a sua biblioteca “não pode continuar privada”
Maio 4, 2012 at 9:38 pm Leonel Vicente Deixe o seu comentário
O historiador José Pacheco Pereira espera pela clarificação da nova Lei das Fundações para decidir o destino a dar à sua biblioteca/arquivo, que “atingiu tal dimensão que não pode continuar a ser privada”.
O historiador tem cuidado sozinho de um acervo bibliográfico, documental e de objectos que foi reunindo desde a adolescência e que preenche grande parte das divisões da casa onde vive há 20 anos, na Marmeleira, concelho de Rio Maior.
“Atingiu tal dimensão que não pode continuar a ser privado nem familiar. Tem que ser encontrado um enquadramento institucional e uma fundação parece o mais adequado”, disse à Lusa.
Contudo, Pacheco Pereira receia que, “para tentar combater a fraude de algumas fundações, e em particular os abusos das próprias fundações do Estado, que nem deveriam existir”, se avance para uma legislação “que parte do princípio da desconfiança”.
Para o historiador, não faz sentido fazer uma lei que obrigue as fundações a criar uma estrutura burocrática “tão grande que o grosso da despesa” será para manter essa estrutura. No seu entender, a solução terá que passar pelo controlo da concessão de utilidade pública, “porque o abuso está na utilidade pública concedida a fundações que são fictícias e que se destinam a fugir aos impostos”.
Pacheco Pereira tem na sua casa da Marmeleira mais de 110 mil títulos, entre livros e brochuras, grande parte deles digitalizados e disponibilizados no site Ephemera, que conta com mais de cinco mil entradas.
Todas as semanas chegam a sua casa donativos, parte deles resposta ao apelo que faz para que ninguém deite fora papéis ou materiais de campanhas ou acções políticas que fazem a memória da história política e social contemporânea.
Ao grupo de professores que nesta sexta-feira visitou a sua casa – participantes na terceira edição dos encontros Bibliotecário, que se realizam em Tomar – mostrou, na sala “onde começa a cadeia produtiva”, alguns dos objectos chegados esta semana, como discos em vinil vindos de um país do Leste Europeu ou material da campanha eleitoral francesa.
A história política contemporânea “mora” na casa de José Pacheco Pereira, na Marmeleira, nos milhares de livros, brochuras, publicações, cartazes, postais, recortes, vídeos, CD, selos, objectos, que transformaram o local onde vive numa fascinante biblioteca/arquivo.
“Existe aqui, talvez, a única colecção do que se chama efémera política, ou seja, objectos, panfletos, cartazes, autocolantes, pins, associados à actividade política desde o 25 de Abril e, em bom rigor, mesmo antes”, disse.
Entre os mais de 110 mil títulos, entre livros e brochuras, de uma colecção que reúne publicações desde o século XVI, Pacheco Pereira possui muitos documentos inéditos e originais, resultantes de doações e ofertas, às quais se somam exemplares adquiridos. [...]
(Público)
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