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“O CODEX 632″ (IV)
“«Sem dúvida. É uma história tão extraordinária que captou a imaginação de toda a Europa. Diz-se que, vasculhando nos vestígios abandonados do Templo de Salomão, os templários terão encontrado relíquias preciosas, segredos eternos, objectos divinos. O Santo Graal. Seja devido a esses mistérios, ou simplesmente graças ao seu engenho e persistência, a verdade é que os templários cresceram e se espalharam pela Europa.»
«E chegaram a Portugal.»
«Sim. A Ordem foi formalmente instituída em 1119 e, poucos anos depois, já cá andavam. Esta cidade de Tomar, conquistada aos mouros em 1147, foi doada em 1159 pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, aos templários, os quais, liderados por D. Gualdim Pais, construíram o castelo no ano seguinte.»
O Mercedes negociou a última curva e foi desembocar num pequeno parque de estacionamento; tratava-se de um espaço abrigado por entre árvores e dominado pela maciça Torre de Menagem, que se destacava por trás das altas muralhas do castelo templário, enormes muros de pedra recortados no céu azul pelo rendilhado das ameias. Deixaram o automóvel à sombra de uns pinheiros altos e seguiram pelo chão empedrado que circundava as muralhas da torre, a Alcáçova, em direcção à imponente Porta do Sol; deu-lhes, por momentos, a impressão de terem retornado à Idade Média, a um tempo rústico, simples, perdido na memória dos séculos e do qual só restavam aquelas orgulhosas ruínas.”
“O Códex 632″, José Rodrigues dos Santos, p. 435
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